NA MÍDIA

RIO ENTRE AS MAIS CARAS PARA ALUGAR ESCRITÓRIO

23/02/2010 23/02/10 Até 2012, a Tishman Speyer investirá R$ 740 milhões em três grandes projetos na cidade

Aguinaldo Novo - O Globo

Um aviso para quem está à procura de salas comerciais para alugar no Rio: a cidade passou a ostentar o segundo maior valor por metro quadrado nas Américas, deixando para trás a região do Downtown de Nova York e Boston. Só perde agora para o Midtown nova-iorquino. No ranking global, outra surpresa: o Rio já ocupa a 13ª colocação entre as cidades com maior custo para os aluguéis corporativos, dez posições acima do registrado em 2008.

Os dados são de pesquisa inédita da consultoria Cushman & Wakefield, feita em dezembro passado em 132 cidades de 63 países. O custo da ocupação, incluindo imposto predial e condomínio, foi de US$ 73 por m² ao mês em 2009 no Rio, contra US$ 94 em Nova York, 6º lugar na classificação geral. Tóquio, com US$ 172, é a líder. A pesquisa considerou apenas os chamados escritórios classe A, com laje mínima de 500 m² e mimos como ar-condicionado central e piso elevado. No Rio, foram consideradas as regiões de Centro, Cidade Nova, Botafogo, Flamengo, Glória, Copacabana, Ipanema e Leblon.

Olimpíadas e pré-sal devem aumentar interesse pelo Rio

Segundo a pesquisa, a crise financeira abateu a demanda e o valor dos aluguéis corporativos no ano passado, na primeira queda global desde 2003. Na média, o recuo foi de 10%, mas em cidades como Dubai o tombo chegou a 33%. Rio e São Paulo não escaparam do efeito da crise (-6% e -10%, pela ordem, em reais). A diferença é que a valorização do real e a forte demanda reprimida amorteceram a queda e, no caso do Rio, levaram a uma valorização dos preços em dólar.

- Os preços no Brasil mostraram maior resistência – disse Milena Morales, gerente da Cushman & Wakefield.

Os preços dos aluguéis comerciais no Rio experimentaram nos últimos anos variação superior à de São Paulo, cujo mercado é o dobro do carioca. Até 2007, o Rio estava atrás de São Paulo; a virada veio em 2008 e, segundo Milena, não há sinal de mudança a curto prazo.

Em São Paulo, o valor mensal do aluguel corporativo saltou de R$ 55 o m², em 2006, para R$ 90 em 2008 e R$ 81,67 no ano passado. Já o Rio saiu de R$ 46 para R$ 96,78 e depois, R$ 90. A oferta de imóveis comerciais disponíveis no Rio era de 86.500 m² em dezembro de 2008.

Um ano depois, caiu para 39.000 m². E isso considerando que entraram no mercado 92.000 m² extras ao longo do ano (área nova construída, parte da qual já comprometida em contratos de aluguel). Para 2010, a previsão é que a cidade ganhe mais 175.000 m², o maior volume registrado em um único ano. Com isso, os preços, ainda que não registrem quedas, devem se manter no atual patamar.

O presidente da divisão brasileira da Tishman Speyer – um dos maiores fundos globais de investimento imobiliário, com projetos de R$ 740 milhões no Rio – Daniel Cherman, crê que o interesse por escritórios de alto nível no Rio crescerá, com a expansão da economia, a exploração do petróleo da camada do pré-sal e os Jogos Olímpicos de 2016. Para ele, a região do porto precisará ser revitalizada para atender à demanda.

- O Rio é muito diferente de São Paulo. Aqui tudo ou se concentra no Centro, onde estão 80% dos escritórios, ou na Barra, que sofre com a falta de transporte – disse. – Em um caso extremo, diante da falta de escritórios, uma empresa pode adotar a decisão estratégica de se fixar em outra cidade.

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